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Mais do mesmo... mesmo do que é demais! Há 13 anos... VOLTAREI A ESCREVER EM BREVE... maisdomesmo.np@gmail.com

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

CONFAP - Mais uma cavadela em falso

19 de Janeiro... dia de greve de professores.

Ao fim da manhã enviei uma mensagem a uma amiga dirigente do SPRC a perguntar-lhe como estava a ser a adesão. A resposta veio de imediato: "tão boa ou melhor do que a última"!

Sorri e continuei a assistir à aula de natação da minha filhota. Sim... que as greves também servem para isto: para podermos dedicar um pouco de atenção aos NOSSOS filhos, naquilo em que raramente temos oportunidade de poder fazer! Adiante!

Durante o dia evitei a habitual "guerra dos números". É "mais do mesmo": o Governo diz que os números são "baixos e/ou pouco significativos"... os sindicatos dizem que são "históricos"!

Agora à noite resolvi dar uma vista de olhos pelos "jornais online"... e lá estava: o Governo assegura que a adesão à greve é de 41% e os sindicatos dizem que os números são da ordem dos 90%!

Mas o que me deixou de boca aberta foram as declarações do presidente da CONFAP. A notícia lia-a no "Público" e aqui a deixo na íntegra:

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) ameaçou hoje recorrer aos tribunais para que sejam convocados serviços mínimos em futuras greves de professores, de forma a evitar que as escolas encerrem. Albino Almeida frisou não existir nenhuma razão para justificar o fecho de estabelecimentos de ensino, uma vez que o funcionamento não é apenas assegurado por docentes, mas também por funcionários e auxiliares, que não estão em greve.

"A Confap tomará medidas para que serviços como o refeitório e a guarda das crianças continuem a funcionar em futuras greves de professores, nem que para isso tenha de recorrer ao Tribunal Constitucional", afirmou, considerando que é preciso definir, do ponto de vista legal, quais os serviços mínimos que devem ser assegurados no sector da Educação. Para Albino Almeida, ao provocarem o encerramento de escolas, as greves de professores tornam-se "atentatórias dos interesses dos alunos e até dos seus direitos mais elementares, como comer" no refeitório.

"O direito dos professores à greve não pode colidir com o direito dos alunos e das suas famílias. Espero que as organizações sindicais tenham a lucidez de não marcar mais nenhuma greve para este ano lectivo porque a escola pública fica seriamente ameaçada se se continuar por este caminho, de realizar uma greve por mês", afirmou.

Um estabelecimento de ensino pode estar encerrado e não ter 100 por cento de adesão se o conselho executivo considerar que o elevado número de professores em greve não garante condições de segurança para os alunos. No entanto, pode dar-se também a situação contrária, mantendo-se a escola aberta e a funcionar só com auxiliares, estando todos os docentes ausentes.

Os professores voltaram hoje à greve, menos de dois meses depois da última paralisação nacional, a 3 de Dezembro, que contou com uma adesão que atingiu os 94 por cento, segundo os sindicatos, tendo chegado aos 66,7 por cento, de acordo com o ME.

Na última paralisação, cerca de um terço dos estabelecimentos de ensino fecharam portas, um número que não foi ainda divulgado relativamente à greve de hoje, apesar de os sindicatos estimarem uma adesão de 90 por cento. A Plataforma Sindical de Professores assegura que a adesão a esta greve repete os valores históricos registados em Dezembro, mas o Ministério da Educação (ME) acredita que este protesto será "significativamente inferior", não tendo ainda revelado dados oficiais.


Há aqui muita coisa para comentar... mas não vou ser exaustivo.

Dei por mim a pensar que, para muita gente, incluindo a CONFAP, a escola é um mero "refeitório" e um "depósito de crianças". Não se vê a mínima preocupação em entender as justas reivindicações e preocupações dos docentes. Para isso... nem uma palavra! Mas não será essa a missão da CONFAP, dir-me-ão! Certo! Já o sei por experiência própria há muito tempo... :/

Sabendo-se que o trabalho (lectivo) que os professores hoje não fizeram com os alunos será largamente compensado e recuperado no futuro próximo... e partindo do princípio que a CONFAP sabe disso, verifico que é por causa do "almoço" e a "guarda das crianças" que esta recorre à ameaça sobre os docentes que, por causa da greve, não ENSINARAM os alunos! Mas por outro lado não percebi como é que 41% de adesão à greve causa tantos incómodos e motiva tão violenta reacção. Será porque a verdade se situa mais lá para os lados dos 90%? É capaz... :)

Fiquei a pensar, também, se por "serviços mínimos" o sr. Albino entenderá uma coisa do tipo "os professores de Português e Matemática têm de trabalhar nos dias de greve e tomar conta dos alunos todos, com a ajuda dos funcionários"! Não me admirava se ele avançasse com uma proposta desse tipo! :)

Sugere ele que os funcionárias assegurem a "guarda dos alunos" na ausência dos professores. Saberá ele que as escolas se debatem com a falta de funcionários no seu dia-a-dia? Duvido! Mas se ele tem "capacidade" de resolver o problema para a próxima greve... que se empenhe, então, em pressionar o Governo e as Câmaras Municipais para admitirem mais funcionários, já... que bem falta fazem!

Mas, por outro lado, se a "guarda dos alunos" pode ser assegurada pelos funcionários nos dias de greve... para quê, nos outros dias, haver "aulas de substituição" ou "distribuição de alunos" pelas outras turmas? Então não podiam esses mesmos funcionários "tomar conta" dos alunos quando há falta de professores? A Lei não o permite? Ora, que aborrecimento...

Já agora, deixo uma pergunta ao sr. Albino: se os professores acham que têm motivos para fazer uma greve (têm... e muitos!)... devem marcá-la para as férias, quando o sr. estiver na praia com as suas filhas?! Ou para os sábados, como já têm feito com as manifestações?
Diga-me lá que greve de que classe profissional é que não causa incómodos e prejuízos... e se não é para isso... que eficácia têm/teriam as greves, como forma de pressão e protesto que são?

(Não tarda nada, o homem ainda vai exigir que os professores, esses privilegiados "guardas dos alunos", deixem de ter direito à greve! Shiiiiiuuuuuu...)

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