Mais do mesmo

Mais do mesmo... mesmo do que é demais! Há 16 anos... maisdomesmo.np@gmail.com

sábado, 8 de novembro de 2008

Desta vez só são 99999

Em Coimbra, no início do ano, foi assim:



Em Lisboa, na "Marcha da Indignação", dizem que fomos cem mil! Com muita pena minha, desta vez não poderei estar presente (só estou em espírito) naquele que espero seja outro grande momento histórico da luta dos professores contra a prepotência, a maldade e a incompetência de um Ministério de um Governo do "ex-PS"!



Oito meses depois, de modo claro, a avaliação que é feita pela classe docente à política educativa de José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues redunda num claro "chumbo", sem nota mínima para poder "ir à oral". Sem qualquer hipótese de um "Plano de Recuperação"... sem qualquer hipótese de um "Apoio do Ensino Especial" (de que, aliás, centenas de alunos ficaram privados).

Espero que o povo português perceba finalmente que não podem ser apenas os professores a reprovar tal política!

Mário, desta vez... não há entendimentos, não há cedências, é lutar até ao fim, sem tréguas!... É com isso que contávamos em Março... é com isso que contamos agora!

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terça-feira, 21 de outubro de 2008

A resposta de Mário Nogueira

Aproveitando um email que reenviei (um dos tais... dos muitos que recebo e reenvio) e que falava da suspensão da avaliação por parte de um Agrupamento, Mário Nogueira respondeu àquela minha espécie de carta aberta! :)

Aqui deixo o registo do conteúdo da sua mensagem... com alguns sublinhados meu, quer porque os ache importantes, quer porque sejam assuntos que já tenha anteriormente conversado com ele.

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Nelson,

É bom que as escolas suspendam a avaliação e temos dado gás aos nossos quadros sindicais para que se envolvam nisso. Muito em breve iremos exigir isso publicamente. Talvez no dia 8 ou, mesmo, antes. Já quanto à manifestação de todos os professores, também gostava. Conheces-me, sabes isso. Mas sobre esse assunto já respondi a alguns colegas que me colocaram a questão. Vou enviar-te a resposta que lhes tenho feito chegar. Um Abraço. MN

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Colega,

A marcação, pela Plataforma Sindical dos Professores de uma manifestação para o dia 8 de Novembro teve a ver com a necessidade de voltarmos à luta na rua, é evidente, como forma de protesto (pelas más condições com que nos confrontamos no nosso exercício profissional, pela sobrecarga de horário e de trabalho, contra a avaliação que nos impuseram e que teremos de derrotar, contra o modelo de gestão que o Governo impôs e pelo qual pretende eliminar qualquer réstia de participação democrática dos professores nos órgãos decisórios das escolas), mas, também, de exigência. Esta exigência prende-se, fundamentalmente, com a necessidade de travarmos o projecto apresentado pelo ME de revisão da legislação de concursos que é extremamente negativo (pode consultar informação na página da FENPROF ou de qualquer dos seus Sindicatos). O período de negociação regular termina a 31 de Outubro e a FENPROF, a manterem-se os aspectos negativos, poderá e irá requerer a negociação suplementar até 7 de Novembro, o que fará nesse dia (véspera de 8).

Portanto, a marcação de 8 para um mega-Plenário de Professores seguido de Manifestação tem a ver com este calendário que deverá ser tido em conta, pois as manifestações não podem ser apenas de protesto. Como dissemos, esta grande acção não é contra outra coisa que não seja a política educativa do actual governo que tem sido levada por diante pela equipa de Lurdes Rodrigues. Por essa razão, a FENPROF pretendeu esperar que todos os sindicatos que integram a Plataforma estivessem aptos a envolverem-se na mesma e apelou, ainda a que todos os professores, individualmente ou organizados da forma que entendessem, incluindo, naturalmente, movimentos ou outras associações, participassem.

Já o mesmo não aconteceu com a marcação de uma manifestação para o dia 15. Ninguém sabe de quem partiu a iniciativa, pois apareceu na net sem qualquer identificação da entidade que a convocava (foi a terceira em que isso aconteceu: uma a 30 de Setembro, junto ao ME, que reuniu 10 pessoas; outra a 5 de Outubro, no Marquês, que juntou 60 - dignificará isso a luta dos Professores?!).

Mas se a entidade que lançava a convocatória era desconhecida, já as palavras de ordem "contra os sindicatos", "Sem ministério, nem sindicatos", ou "professores sim, sindicatos não" surgiram de todo o lado. Ou seja, a convocatória apelava claramente à desunião, à separação dos professores em relação aos seus sindicatos, concretizando uma velha aspiração de Lurdes Rodrigues e de Sócrates que sempre disseram não estar preocupados com as críticas e lutas dos sindicatos, e da FENPROF em especial, pois os professores não se reviam nelas.

Entretanto, 3 movimentos aderiram à data e confirmaram o carácter anti-sindical da manifestação, senão, repare nesta afirmação:

"... mantém-se a convocatória para a manifestação de dia 15 de Novembro em Lisboa, manifestação que tanto quanto podemos afirmar, tem objectivos e motivações diferentes das dos sindicatos.
A direcção da APEDE"

Também o movimento Promova veio dizer, quando soou que haveria um encontro entre sindicatos e movimentos para articular a acção, que isso era mentira e que se tratava do "desenterrar de métodos de actuação do passado, incorrendo na desinformação como forma de desmobilização" e que "os professores não caem em truques desonestos que apenas desqualificam quem os concebe e os dissemina", referindo-se, obviamente, aos sindicatos de professores, o que é lamentável.

Entretanto, a manifestação foi legalizada no Governo Civil, feito um cartaz e até um vídeo promocional que termina a excluir os Sindicatos... Portanto, quem está a desunir, a dividir, a criar a cisão, não são os Sindicatos. Nunca o fizeram, por que o fariam agora? Nunca excluíram um colega não sindicalizado das suas reuniões, das suas acções, das suas lutas, do seu apoio, por que o fariam agora?

Mas a par desta campanha contra os sindicatos, foi desenvolvida, também, uma campanha contra os dirigentes sindicais, que foram acusados de terem beneficiado de regalias imorais, dadas pelo ME em matéria de carreira, o que é completamente mentira. Pelo contrário, foram prejudicados e bem prejudicados na sua vida profissional, inclusivamente impedidos de progredir na carreira, simplesmente por serem dirigentes sindicais. O ME nunca lhes perdoou as lutas desenvolvidas e o apoio que têm prestado aos professores.

[Nota minha: creio que Mário Nogueira não é professor titular]

Colega, pense bem nisto. A quem serve esta divisão? A quem serve excluir da luta os Sindicatos? A quem serve atacar os Sindicatos que têm sido, nestes tempos tão difíceis, bastiões de resistência, de exigência e de luta? A quem serve denegrir a imagem dos dirigentes sindicais? Aos Professores? Não é certamente. Antes servirá os interesses de um Governo que, governando com maioria absoluta, tem feito tudo o que quer e, principalmente, tem atacado a Escola Pública e os professores como nenhum outro. De uma forma ignóbil e sem vergonha. Não será a este governo que mais serve a divisão? Não será a este governo que mais serve chegar a 2009, ano eleitoral, com os sindicatos desgastados, enfraquecidos, logo, com mais espaço de manobra para a campanha eleitoral, sem denúncias, nem lutas e, assim, obter nova maioria absoluta?

Há que pensar bem nestas coisas. Estou certo que o fará e que compreenderá bem tudo isto que andamos a viver. É que, às vezes, o que parece, é; todavia, outras vezes, não parece, mas também é.

Um Abraço,
Mário Nogueira

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Uma espécie de carta aberta

Uma das coisas que mais tenho feito nos últimos tempos, no que ao correio electrónico diz respeito, é produzir, tratar ou reenviar emails que digam respeito a temas de Educação, avaliação dos docentes, novo modelo de gestão, etc.

A minha lista de contactos de professores e educadores está sempre a ser solicitada... eles é que são as minhas maiores "vítimas"... hehehe...

Aproveito para pedir desculpas aos colegas que acabam por receber de volta os emails que me reenviam. Tenho feito um esforço para isso não suceder, mas sei que nem sempre consigo evitar essa situação.

Ora, algumas das pessoas para quem reenvio os ditos emails trabalham no SPRC e/ou na Fenprof... como o Mário Nogueira. É a forma que encontrei de, poupando-lhes algum tempo (lol), fazer-lhes chegar muito do que se passa pelos blogues, pelas escolas, pelos corredores, pelos cafés, nas conversas entre professores!...

De quando em vez acrescento a minha opinião pessoal... e já por algumas vezes o Mário encontrou algum tempo para me responder.

Na sequência do post anterior, decidi reenviar ao Mário Nogueira um determinado texto que falava nos objectivos da Manifestação de 15 de Novembro e que tinha acabado de receber... e acrescentei o que agora vou aqui publicar. Eram 23 horas de domingo.
Pronto: considerem este post assim como uma espécie de "carta aberta"!

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Mário:
[reenvio-te]um exemplo do que vai circulando [pela Net]!…

A Fenprof... o SPRC... os outros sindicatos (não achas que há demasiados sindicatos?) não podem ignorar o que dizem os professores nos blogues (tirando os insultos, é óbvio)... e olha que não são "apenas" 20 ou 30... a expressão já é considerável!

Repito o que te tenho dito: tem de haver UNIÃO DE ESFORÇOS nesta altura... e não lucra a ninguém andarmos a escrutinar de quem é a culpa de uma suposta divisão dos professores. Aliás, lucra a MLR!

O que acho que tem de ser muito bem reflectido pelas estruturas sindicais é o porquê do surgimento dos tais "Movimentos" que convocam manifestações por sms ou por email, como tem sido referido. Achas que é por busca de "protagonismos pessoais"? Eu digo-te por que é, amigo Mário: é MESMO por insatisfação, por saturação, por necessidade de lutar e "morrer de pé"!

E o grande êxito das manifestações distritais do ano lectivo passado e da Marcha da Indignação teve um forte contributo da mobilização que foi feita pelos blogues. Disso não tenhas a mínima dúvida! Aliás, recordo bem o que a Lena e tu próprio me disseram na manifestação de Coimbra: "nunca pensámos que aparecesse tanta gente numa noite de "dia" de semana"!

Olha... só à minha conta... há cerca de 100 professores e educadoras a receberem emails diários (e já não falo do meu blogue, que tem tido poucas visitas)... a espicaçar, a informar, a fazer reflectir, a mobilizar...
Tu recebes sempre uma cópia deles! :)

Mas, Mário, o que ainda ninguém entendeu foi o porquê do Memorando (aliás, eu sempre disse que quem tinha de salvar o 3.º período era o ME, não nós – os professores)... e agora também ninguém entende por que razão não aproveitaram os sindicatos a data de 15 de Novembro... para acontecer outra "Marcha da Indignação"! Aí fomos 100 mil, Mário! Ninguém queria o "Memorando"... queríamos a queda da ministra… que o "Entendimento" salvou! Essa é a convicção dos professores, Mário... os professores que os sindicatos representam.

Repara que os sindicatos tinham todo o interesse na Manifestação convocada para dia 15. Sendo uma iniciativa "da sociedade civil"... e admitindo que seria relativamente fácil juntar 15... 20 ou 30 mil professores (nada impedia que os sindicatos ajudassem na mobilização dos professores), sempre podiam depois dizer "reparem como mesmo sem a máquina sindical os professores manifestam em tão grande número a sua indignação". A seguir – acredita – a Ministra ficaria "em maus lençóis"!

Assim… marcando uma manifestação para dia 8... com as negociações ainda não fechadas... o que vai acontecer?

Eu não posso ir no dia 8… :)

Abraço
NP

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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Para quê duas?

Professores não se entendem sobre a manifestação

Mário: no dia 8 de Novembro não posso ir, já tenho um jantar marcado; mudem lá a data da manifestação, se faz favor! :)

NOTA IMPORTANTE:
se não estou em erro, este foi o post 1000 do "Mais do mesmo"! Aproveito-o para fazer um forte apelo à unidade dos professores... ao ENTENDIMENTO entre TODOS os professores! A hora é de união... não de divisão e de "orgulho besta", parafraseando os meus primos brasileiros!

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domingo, 5 de outubro de 2008

Uma verdade inconveniente


Governo de Sócrates é o que mais desgastou classe dos professores


O secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, declarou, na Madeira, que o Governo de José Sócrates é o executivo que mais desgastou a classe dos professores nos últimos 34 anos de democracia em Portugal.

"É o governo que mais degradou as condições do exercício da profissão de professor, no plano da desvalorização, da injúria, do insulto, da desconsideração e do desrespeito", referiu Mário Nogueira numa iniciativa do Sindicato dos Professores da Madeira por ocasião do Dia Mundial dos Professores.

"Posso dizer que, em 34 anos de democracia, os professores nunca foram sujeitos a uma campanha de desvalorização social tão forte como aquela que este governo fez", acrescentou.

Mário Nogueira contestou as afirmações do primeiro-ministro no início do ano lectivo, quando Sócrates referiu que o "Estado não era uma agência de emprego" e que o "tempo do facilitismo" tinha acabado.

"Os professores não querem que o Estado seja uma agência de emprego, o que não aceitam é que o Ministério da Educação se tenha transformado em agência de desemprego docente", disse Mário Nogueira.

O secretário-geral da federação sindical de professores acusou ainda o Governo da República de deliberadamente ter tomado medidas "orientadas para o aumento do desemprego docente" como a "prova para ingresso na profissão".

Esta prova, disse o sindicalista, "pretende afastar da profissão milhares de docentes, alguns com vários anos de serviços prestado e avaliados positivamente".

"A nossa esperança é que os professores não fiquem de braços cruzados à espera que as coisas mudem, a única esperança que nós podemos ter é a capacidade de mobilização e de luta dos professores", lembrou.

Por isso anunciou que o Secretariado Nacional da FENPROF vai reunir-se esta semana. "Dessa reunião vão sair acções de luta, os professores vão voltar à rua, à contestação, ao protesto à pressão sobre este governo para que mude de atitude e de políticas".

Desejou ainda que a consigna do Dia Mundial do Professor seja concretizada em Portugal e que os professores "passem a contar verdadeiramente e a serem considerados porque se a escola não se faz só com professores também não se faz sem eles".


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Eu não vou ficar de braços cruzados. E tu... vais? Então depois não te queixes!...

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Os professores contam

O factor humano (Mário Nogueira)

"Não há ensino de qualidade, não há verdadeira Escola se os professores não contarem ou contarem pouco".

Nos inúmeros périplos que o Governo tem efectuado pelo País a distribuir computadores, cheques e, principalmente, auto-elogios, os professores têm sido esquecidos como se na Escola fossem quem menos conta!

O ataque aos professores começou por ter expressão no plano social, tendo essa primeira fase pretendido preparar o terreno para as medidas que se seguiriam e que, sabiam os governantes, seriam fortemente contestadas.

Sobre os docentes abateram-se todas as medidas que se aplicaram à Administração Pública e, no caso do ensino particular e cooperativo, as decorrentes do código de trabalho… a que se juntaram mais algumas. Foi o novo estatuto da carreira docente que introduziu focos de grave instabilidade na profissão, com o seu absurdo e muito penalizador modelo de avaliação, a divisão da carreira em duas categorias ou a criação de uma prova de ingresso que visa empurrar milhares de jovens para fora da profissão; foram os horários de trabalho, muitas vezes ilegais, que impõem horas de actividade burocrática que seriam preciosas para o trabalho individual e vieram desorganizar, completamente, a própria vida profissional, pessoal e familiar dos professores; foi a nova gestão escolar, assente no pressuposto da desconfiança sobre os docentes e na necessidade de estender, para dentro das escolas, os tentáculos da tutela; foi a supressão dos apoios a milhares de alunos com necessidades educativas especiais, tornando mais difícil o trabalho na sala de aula.

É verdade que há escolas com quadros interactivos, com mais computadores nas salas e alguns edifícios foram recuperados… mas não foi dada a devida importância ao mais importante dos factores: o factor humano e, em especial, os profissionais docentes.

Como a UNESCO e a Internacional de Educação lembram no Dia Mundial dos Professores que amanhã se celebra, "os Professores contam!" Só que no nosso país, para o nosso Governo, estes têm contado pouco, o que é grave.

Não há ensino de qualidade, não há verdadeira Escola se os Professores não contarem ou contarem pouco, como tem acontecido, sendo natural que, quando assim é, as políticas educativas fracassem.

Seria perda de tempo esperar que para os actuais governantes os Professores passassem a contar; essa é razão suficientemente forte para que sejamos nós, Professores, com a nossa luta, a fazê-los compreender quanto contamos!

    Mário Nogueira, Secretário-geral da Fenprof


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Desta vez, Mário, como em muitas outras, aliás, estamos plenamente de acordo! :)

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