Mais do mesmo

Mais do mesmo... mesmo do que é demais! Há 16 anos... maisdomesmo.np@gmail.com

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Eu também quero mais...

Leio no "DN":

«Segunda reunião do dia entre sindicatos e Ministério da Educação começou por volta das 16.00. Durante a manhã a tutela já deixou cair as vagas para o acesso ao 3º escalão, a obrigatoriedade da prova de ingresso, e a limitação de vagas para os professores classificados com muito bom e excelente. Mas sindicatos querem mais.»

É claro que isto é pouco. Tudo o que seja "atrofiar" o acesso ao topo da carreira apenas por motivos financeiros, numa carreira em que todos têm o mesmo conteúdo funcional e em que se prova, através do sistema de avaliação, que um profissional é BOM... é para dizer "NÃO"!

O que é que eu quero mais?

Bem, para já... a contagem INTEGRAL do tempo de serviço que prestei EFECTIVAMENTE desde 1988!...

(Quando um ladrão é apanhado a roubar... não tem de devolver o que "gamou"?)

Etiquetas: , , ,

domingo, 31 de maio de 2009

Mais um atestado de menoridade

Sócrates, em reacção à Manifestação de Professores, afirmou que há sindicatos que são instrumentalizados e que funcionam como correia de transmissão de partidos, dizendo mesmo que há sindicalistas com maior interesse pelas eleições do que pelos seus sindicalizados.

Estas afirmações de José Sócrates são mais um ATESTADO DE MENORIDADE que ele passa à classe docente. É triste que ele não perceba que os professores saem à rua, não por causa dos sindicatos e dos partidos, mas sim pelas péssimas políticas que implementou na Escola Pública Portuguesa e por causa dos sucessivos ataques que o seu Ministério da Educação fez aos professores!

Mas eu, em relação a José Sócrates, tenho uma perplexidade: não percebo que tenha tanto desprezo pelos docentes... quando ele até teve um excelente (digo eu, que não sei se foi avaliado) professor com quem fez quatro cadeiras do seu curso... o tal da Universidade Independente!

Em relação a estas declarações, tenho outra perplexidade: José Sócrates esqueceu-se que a Plataforma Sindical reúne sindicatos afectos à UGT... que, por sua vez, tem muitas figuras ligadas, de algum modo, ao PS?!

Afinal... a quem se referia ele?

Etiquetas: , ,

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Oh, não vamos ter Manifestação de médicos?

Enquanto o Ministério da Educação "trata da saúde" aos professores", o Ministério da Saúde "recua nas negociações das carreiras médicas".

Respeito pela negociação a sério e pelos valores democráticos?

Abertura ao diálogo e existência de uma verdadeira "agenda aberta"?

Sensatez e humildade?

Reconhecimento de um erro?

Falta de firmeza?

Cobardia política?

Medo de uma classe profissional poderosa?...

Etiquetas: , , ,

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Greves regionais suspensas

Plataforma Sindical dos Professores suspende greves regionais

Parece que começa a ver-se algum efeito prático da ENORME luta - e com muitos sacrifícios pessoais - que os professores e professoras deste país têm travado!

Agora já se admite que se pode discutir a suspensão do modelo de avaliação. Agora já parece que a condição prévia que o Governo impunha deixa de existir... agora já parece que vai haver uma VERDADEIRA negociação... sem EXCLUIR a discussão do Estatuto da Carreira Docente!

Sim, valeu a pena! :)

Mas... não esquecer: "cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém!" :)

Etiquetas: , , ,

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O caminho que isto vai tomar

Partilho convosco um email que recebi de uma colega de curso e que, depois de muitos anos, reencontrei na Manifestação de Professores, em Coimbra:

Nelson, tenho recebido os teus e-mails.

Por favor, informa-me do seguinte: os presidentes dos executivos podem obrigar-nos a pronunciar, por escrito e individualmente, se queremos ser ou não avaliados?

O nosso "Chefe" afirmou na quinta-feira passada, numa R.G., que em Janeiro ia pedir a todos os professores do agrupamento para se pronunciarem.

Um abraço, I.F.


Imaginando que esta poderá ser uma atitude que se vai generalizar, remeti o email para um amigo do gabinete jurídico do sindicato, que, a título pessoal, me deu a sua opinião:

Nelson:

Esta, como tu sabes, é uma forma de pressão que alguns PCE estão a utilizar para que a unidade que, actualmente, se verifica entre os docentes, vá quebrando.

A legislação sobre avaliação, nomeadamente sobre os procedimentos a adoptar, não contempla este tipo de perguntas/inquéritos.

É uma forma de pressão.

Estamos, assim, perante um acto interno (da escola) e discricionário (do PCE), que estamos a denunciar.

A haver resposta (vamos supor que é uma ordem do PCE), na minha opinião, a que se deve dar é que "não" (forma de oposição activa) ou, mais branda, "não sei" (forma de oposição passiva), solicitando sempre, por escrito, a sua passagem a escrito, bem como a sua sustentação legal.

Claro que, mantendo-se a unidade, a resposta deveria ser "zero", por falta de sustentação legal.

Como esta actuação, pelos visto, pode proliferar, a Plataforma terá de "intervir".

Obrigado pelos teus e-mails.

Abraço

T.


Que me dizem a isto? Para mim, é mais um motivo para nos mantermos unidos... porque só assim vale a pena ser professor! :)

NOTA. Se alguém quiser comunicar algo (sei lá... denúncias, desabafos, pedidos, sugestões, insultos...), sem querer usar a caixa de comentários, pode usar o endereço electrónico maisdomesmo.np@gmail.com

Etiquetas: , , , , ,

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Adesão à greve

Eu sei que qualquer um tem acesso ao JN... mas pronto... aqui fica o artigo, escusam de ir à procura dele... e podem distribuir pelos amigos (eu vou enviar às diversas listas de distribuição que tenho no Outlook, como, por exemplo, a que denominei de "Jornalistas")... hehehe...

O meu novo "slogan" é:

«Assim, unidos, já se pode ser professor!»

******************************************

"Maior greve de sempre ronda os 95% de adesão"
14h51m
DENISA SOUSA, JESUS ZING, LUÍS MARTINS, LUÍS OLIVEIRA, HELENA SILVA, TEIXEIRA CORREIA, TERESA CARDOSO E TIAGO RODRIGUES ALVES

O "Jornal de Notícias" acompanhou a greve dos professores em várias escolas do país. Nos vários distritos onde passou, a situação foi calma, não houve manifestações de apoio ou repúdio, apenas o gáudio de muitos alunos com a confirmação de "um feriado" há muito anunciado. Os sindicatos falam em 95% de adesão à paralisação, decretada como protesto ao novo modelo de avaliação.

Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, estima que os números da greve rondem os 95% de adesão. "É um orgulho representar os professores. Podemos já dizer que é a maior greve de sempre", disse, considerando "caricato e absurdo" o argumento do Governo de que a maioria das escolas está aberta.

O Secretário-Geral da Fenprof recusa a acusação de se negarem a negociar. "Queremos uma negociação aberta, não queremos é estar sujeitos à negociação do Governo", disse Mário Nogueira, em declarações à SIC notícias.

Guarda perto dos 100%

Os dados apurados pelo JN, junto de fonte sindical, situam a greve no distrito da Guarda perto dos 100%. "É uma greve histórica", disse Sofia Monteiro, coordenadora do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC). Das 29 escolas secundárias do distrito, 19 registavam entre 99 e 100% de adesão. Entre as outras 10, os professores em greve passavam os 95%.

Entre as escolas do 1º Ciclo, a adesão à greve situa-se entre os 98 e os 100%, sendo na maioria estará mesmo parada. A título de exemplo, na escola do Bonfim, na Guarda, o sindicato diz que há apenas um professor a leccionar.

Os alunos aproveitaram o "feriado" anunciado, para gozar a manhã sem aulas, sem manifestações ou confusões. Os Conselhos Executivos já haviam informado as transportadoras, que levaram de volta a casa os alunos que, diariamente, se deslocam de autocarro das várias aldeias para a sede do distrito.

Aveiro entre os 76 e os 100%

Em Aveiro, a adesão à greve varia entre um mínimo de 76 e um máximo de 100%, números apurados pelo JN junto de fonte sindical. Na preparatória João Afonso, não houve professores para dar aulas, o que também aconteceu nos jardins de infância e escolas do 1º ciclo do agrupamento de Aveiro, onde a greve teve uma adesão total. A secundária Homem Cristo registou, também, 100% de adesão ao protesto.

Na secundária José Estêvão, também em Aveiro, a greve situou-se nos 80%, um pouco acima dos 76% registado na Mário Sacramento. Entre uma e outra, na primária da Vera Cruz, só quatro dos 18 professores é que não aderiram à greve, o que redunda em cerca de 72% de adesão ao protesto. Em Ílhavo, a greve tocou os 100%, tanto na Escola Secundária como na EB 2,3.

Viseu entre acima dos 90%

No distrito de Viseu, a greve de professores registava, ao fim da manhã, o encerramento de 39 dos 65 agrupamentos de escolas no distrito de Viseu. Os restantes apresentavam índices de adesão que oscilavam entre os 72% (escola dos 2º e 3º ciclos do Ensino Básico de Penalva do Castelo) e os 99% (agrupamentos de escolas Ana de Castro Osório em Mangualde e S. João da Pesqueira.

Francisco Almeida, dirigente local do SPRC, considerava que no distrito de Viseu era"mais fácil encontrar uma agulha num palheiro do que um professor a trabalhar". O sindicalista sublinhou que, na prática, "não houve aulas em todas as escolas do distrito de Viseu"."

"Em Mangualde, apenas uma professora a deu aulas. A adesão a greve é de 99%. Francisco Almeida lembra ainda que em Cinfães "os 83 professores do 1º ciclo do ensino básico estiveram todos em greve".

Na EB 2,3 Infante D. Henrique, em Repeses, Viseu, a ministra da Educação teve direito a uma canção muito especial. Fernando Pereira, o seu autor, fez incidir sobre o refrão a ideia geral da melodia: "está na hora de a ministra ir embora". O docente assume que se trata de uma forma de "intervenção e protesto". Uma maneira de mostrar à tutela que "a Educação é a grande riqueza de um país".

Braga ronda os 95% de adesão

Em vários concelhos do distrito de Braga, a adesão à greve ultrapassa os 95% e em várias escolas só apareceram ao serviço um ou dois professores. Alguns estabelecimentos de ensino tinham as portas abertas e os serviços mínimos a funcionar, mas por todo o distrito foram raras as aulas dadas, da parte da manhã.
Na capital de distrito, na EB 2,3 Carlos Amarante, apareceram dois docentes, enquanto na Alberto Sampaio alguns docentes, sobretudo os mais jovens, apareceram para leccionar mas para um número reduzido de alunos. Nesta escola, os elementos do Conselho Executivo também fizeram greve. No Liceu D. Maria II, o presidente do Conselho Executivo, Vasco Grilo, contabilizou 90% de professores faltosos.

Na EB 2,3 de Lamaçães, com 1500 alunos, só se apresentou um professor de espanhol, numa adesão massiva que deixou os pais com a vida mais complicada. "Compreendo a luta, mas tenho três filhos e não tenho onde os deixar. Vou faltar hoje ao trabalho", disse ao JN uma mãe que se deslocou à escola para ver se havia aulas.
Parretas, Nogueira, Maximinos, Palmeira ou Nogueira são alguns dos locais da cidade onde também não houve aulas nos vários estabelecimentos escolares. Mesmo com o peso da greve em curso, o Conservatório Calouste Gulbenkian registou 100% de adesão ao nível do primeiro ciclo. No segundo e terceiro ciclos, bem como no secundário, dos 55 docentes, 45 fizeram greve, o que situa os números da adesão nos 81%.

Em Vila Verde, Amares, Terras de Bouro, Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho há inúmeras escolas fechadas, a maioria com 100% de professores em greve.

Professores foram para a praça da Liberdade, no Porto

Na cidade do Porto, a manhã começou negra, chuvosa e sem aulas nos estabelecimentos de ensino visitados pelo JN. Às 8h30, na Escola Carolina Michaelis, os alunos subiam as escadas para poucos minutos depois as descerem já com a notícia de que não teriam aulas. A alegria de uns contrastava com a desilusão de outros. "Adormeci, mas vim à pressa porque amanhã vou ter um exame de História e afinal foi tudo para nada", afirmou Joana Patrícia. "E não me parece que a professora adie porque ela não é de adiar", acrescentou. À porta da escola, alheios à forte chuva, muitos alunos reuniam-se e alegremente faziam planos para o resto do dia. "Vamos para o shopping passear", dizia a grande parte.

Às 9h00, na Escola Secundária Filipa de Vilhena, o cenário era semelhante, com todos os professores do primeiro turno da manhã a aderirem à greve. Durante o tempo que o JN passou à porta da escola apenas um docente entrou nas instalações e fez questão de dizer que vinha mas que não ia dar aulas e estava em greve. Pouco antes, um pai, depois de avisado telefonicamente pelo filho, veio buscá-lo para p levar a casa. "Já sabia e por isso estava de prevenção. Como moro perto, não me custa muito vir cá buscá-lo. Agora, vai passar o dia comigo" afirmou Paulo Sousa, salientando que concorda com as reivindicações dos professores e que dá todo o apoio à greve.

A meio da manhã, cerca de uma centena de professores estava concentrada na praça da Liberdade, no centro do Porto, em sinal de protesto contra o modelo de avaliação.

Leiria com média perto dos 90%

Em Leiria, as duas maiores escolas secundárias do distrito registavam uma adesão de 90% (Rodrigues Lobo) e 91% (na Domingos Sequeira), com a greve a paralisar a EB de Marrazes, que encerrou. A Escola Secundária de Pombal registava 93% de adesão, enquanto a Calazans Duarte (87%), na Marinha Grande, parecia ser a que menos aderiu à paralisação.

"Sem dúvida que estamso perante a maior greve dos professores desde o 25 de Abril", disse ao Jornal de Notícias uma fonte do Sindicato dos Professores da Região Centro.

Beja entre os 70 e os 99%

Em Beja, dados apurados directamente junto dos concelhos directivos, mostram alguma dispararidade na adesão à greve. O Agrupamento de Santa Marinha, com sete escolas, estava nos 99%, enquanto nas sete escolas do agrupamento Mário Beirão a greve se situava entre os 60 e os 70%. Pelo meio, 80% na secundária D. Manuel 1º, 86% na Diogo de Gouveia e 90% na Santiago Maior.

"Não faço greve porque sempre estive contra o modelo de avaliação. Mais agora, depois das alterações", disse Conceição Casanova, uma das professoras da escola Santiago Maior que não aderiram à greve. Na de Santa Maria, Rogério Inácio também não aderiu à paralisação, simplesmente porque não podia: sendo um dos três professores do Curso de Educação e Formação, foi obrigado a leccionar.

Meio milhar nas ruas de Viana do Castelo

Em Viana do Castelo, cerca de 500 professores manifestaram-se na Praça da República. A chuva causou estragos na concentração, com os docentes algo espalhados pela praça, cartão de visita da cidade, mas não afectou a motivação.

"Queremos ser avaliados com seriedade" lia-se em alguns dos cartazes. Outros eram "Por uma escola de rigor e exigência", com alguns professores a dirigirem os dizeres a Maria de Lurdes Rodrigues: "Senhora Ministra, queremos trabalhar com dignidade".

A concentração começou às 10 horas na Praça da República, de onde saiu, uma hora depois, para o Governo Civil de Viana do Castelo. Em frente ao palácio, os professores acenaram com lenços brancos e pediram a demissão da ministra Maria de Lurdes Rodrigues.

Segundo dados apurados pelo JN junto de fonte sindical, a greve situa-se bem acima dos 90%, perto mesmo dos 100%, em todo o distrito de Viana do Castelo.


******************************************

Sou professor há 20 anos, ou seja, este ano lectivo é o meu 21.º ano de serviço... sempre nas escolas, nas salas de aulas, nos recreios, nas visitas de estudo, nas reuniões de Conselho Escolar e agora mais recentemente de Conselho de Docentes, em reuniões de Conselho Pedagógico, de Núcleo, em grupos de trabalho, etc... e já perdi a conta ao número de greves a que já aderi. Mas pela primeira vez ouvi um membro do Governo dizer que tinha sido uma greve "SIGNIFICATIVA"!

Desculpem-me se erro: para mim, isso significa que os números avançados pelos sindicatos devem ser os correctos (mais de 90%). :)

Ah, permitam-me que diga ao sr. Secretário de Estado Jorge Pedreira que os sindicatos têm telefones para contactar os Conselhos Executivos e, normalmente, têm DELEGADOS SINDICAIS nas escolas e agrupamentos... pelo que podem saber, com pequena margem de erro, quais os números de adesão a qualquer greve de professores!

Etiquetas: , ,

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Professores do Centro em luta

Segundo uma sms que recebi, são estes os números de docentes presentes nas manifestações que aconteceram na região Centro:

Aveiro - 3.000
Castelo Branco - 2.000
Coimbra - 7.000
Guarda - 3.000
Leiria - 3.000
Leiria - 3.000
Viseu - 4.000
Lamego - 1.000

Mais uma vitória dos professores! :)

Etiquetas: , ,

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Professores do Norte em luta

Os professores do Norte resistem... e muito! Nem o frio os faz desistir! :)

Acabei de receber a seguinte sms, enviada por uma coordenadora do SPRC (obrigado, Lena):

Porto - 20.000 (segundo a PSP);
Vila Real - 3.000
Viana do Castelo - 3.500
Bragança - 2.000 (de 2.300 professores)
Braga- já estão 5.000...

Nova vitória dos professores! :)

Etiquetas: , ,

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Sindicato dos Inspectores toma posição

Carta Aberta do
Sindicato dos Inspectores da Educação e do Ensino ao
Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Educação

Senhor Secretário de Estado

Não pode deixar de nos preocupar – enquanto inspectores da carreira técnica superior de inspecção da educação – a notícia inserta na página 9 do "Público" de hoje, 11 de Novembro, com o título "Governo não avança para já com processos disciplinares a quem recusar avaliação" – a serem autênticas as declarações que a agência "Lusa" lhe atribui, Senhor Secretário de Estado, e que o jornal transcreve. "O ministério da Educação não fará nada para aplicar esses processos [disciplinares] neste momento", terá dito o Senhor. Mesmo que tenha dito apenas isto, é óbvio que o Senhor Secretário de Estado já disse demais. Ao dizê-lo, faz recair sobre os docentes, ao mesmo tempo, uma ameaça e uma chantagem – e infecta com um acriterioso critério de oportunidade um eventual desencadeamento da acção disciplinar. Como se lhes dissesse: «"neste momento" ainda não vos posso apanhar, mas não esperam pela demora...». Por que é que "neste momento" o Ministério não fará nada?... Porque entende que "neste momento" a acção não é oportuna. E pode a tutela reger-se, nesta matéria, por critérios de oportunidade?... A resposta é: sim, pode. E quais são eles? Bem, as coisas aqui complicam-se, porque a resposta fica eivada de uma fortíssima carga subjectiva, uma vez que, nesta matéria, não estão taxativamente definidos limites que impeçam um elevado grau de discricionariedade. Digamos que, no essencial, mais do que por condicionantes legais, são as condicionantes éticas que devem filtrar a oportunidade do recurso a critérios de oportunidade. E é neste domínio que devem ser apreciadas as suas declarações, Senhor Secretário de Estado. Mesmo na hipótese de comportamentos de docentes poderem configurar infracção dolosa da lei – nada impede que, por critérios de oportunidade ou outros, se decida não agir disciplinarmente sobre eles, agora ou em qualquer altura. A própria lei consagra essa possibilidade. Mas para tal os critérios têm de ser transparentes e publicitáveis, sob pena de – no caso ora em apreço – a oportunidade servir de biombo ao oportunismo e a discricionariedade servir para esconder a arbitrariedade. Em rigor, não estando nós dentro da sua cabeça, não sabemos por que é que o Senhor Secretário de Estado entende que este não é "o momento", mas algo nos diz que este seu juízo de valor se relaciona com o facto de no passado dia 8 terem estado na rua 120.000 professores em protesto contra o Ministério da Educação…Por outro lado, quando e se "o momento" surgir, quem vai fazer o quê? Vão os Senhores Presidentes dos Conselhos Executivos, ou os Senhores Directores Regionais da Educação, ou a Senhora Ministra da Educação, instaurar processos disciplinares às centenas ou aos milhares?... Vamos nós, os Inspectores da Inspecção-Geral da Educação, instruir processos disciplinares às centenas ou aos milhares?... Isto é: vamos tentar resolver(!) pela via da acção disciplinar problemas que possuem a sua raiz claramente fora dela – correndo o risco de instrumentalizar e governamentalizar a Inspecção, sem honra nem glória para nenhuma das partes implicadas e, no limite, com prejuízos para todas elas? Não se pode pedir aos Inspectores da Inspecção-Geral da Educação que retirem do lume as castanhas que outros lá colocaram. Basta de alimentar fantasmas que Professores e Inspectores, e mesmo algumas tutelas, há muito lutam para que desapareçam, particularmente desde o 25 de Abril de 1974! O Senhor Secretário de Estado provavelmente desconhece – e para que o conhecesse bastava que lesse Camões – que uma lei não é justa porque é lei, mas porque é justa, e que o que há de mais permanente na lei é a sua permanente mudança, e que mesmo esta já não muda como "soía", e que, se assim não fosse, o Código do saudoso Hamurabi continuaria em vigor; o Senhor Secretário de Estado, se alguma vez o soube, esqueceu tudo o que leu do sempre presente Henry David Thoreau e da sua "desobediência civil". O que há de doloroso em tudo isto – e ainda mais num Ministério da Educação – é que, no fundo, estamos confrontados com um problema de cultura, ou de falta dela. Perante isto, os critérios de oportunidade, ou as suas declarações, Senhor Secretário de Estado, ou a potencial instrumentalização e governamentalização da Inspecção – tornam-se, a prazo, questões irrelevantes. Mas temos também a obrigação de, no imediato, sabermos lidar com a circunstância, e de compreendermos a gravidade que ela assume. Não questionando a legitimidade dos governos no quadro do Estado de direito democrático, a verdade é que, exactamente por esse quadro, as Inspecções da Educação são inspecções do Estado e não do governo, e não podem deixar de funcionar sob o registo de autonomia legalmente consagrado. Citando aquele que foi o primeiro Inspector-Geral (da então Inspecção-Geral do Ensino), "a Inspecção, isto é, cada Inspector, está condenada/o a ser a consciência crítica do sistema". Entre nós, Inspectores de todas as inspecções da educação, costumamos dizer que, não raramente, andamos "de mal com os homens por amor d’el-rei e de mal com el-rei por amor dos homens".
Uma exigência, Senhor Secretário de Estado: os Inspectores da educação querem ser parte da solução, não querem ser parte do problema. O Senhor Secretário de Estado e o Ministério da Educação – o que é que querem?...

Pel’A Direcção do S.I.E.E.

José Calçada
(Presidente)

Porto, Novembro, 11, 2008

Etiquetas: , , ,

sábado, 8 de novembro de 2008

Desta vez só são 99999

Em Coimbra, no início do ano, foi assim:



Em Lisboa, na "Marcha da Indignação", dizem que fomos cem mil! Com muita pena minha, desta vez não poderei estar presente (só estou em espírito) naquele que espero seja outro grande momento histórico da luta dos professores contra a prepotência, a maldade e a incompetência de um Ministério de um Governo do "ex-PS"!



Oito meses depois, de modo claro, a avaliação que é feita pela classe docente à política educativa de José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues redunda num claro "chumbo", sem nota mínima para poder "ir à oral". Sem qualquer hipótese de um "Plano de Recuperação"... sem qualquer hipótese de um "Apoio do Ensino Especial" (de que, aliás, centenas de alunos ficaram privados).

Espero que o povo português perceba finalmente que não podem ser apenas os professores a reprovar tal política!

Mário, desta vez... não há entendimentos, não há cedências, é lutar até ao fim, sem tréguas!... É com isso que contávamos em Março... é com isso que contamos agora!

Etiquetas: , , , ,

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A resposta de Mário Nogueira

Aproveitando um email que reenviei (um dos tais... dos muitos que recebo e reenvio) e que falava da suspensão da avaliação por parte de um Agrupamento, Mário Nogueira respondeu àquela minha espécie de carta aberta! :)

Aqui deixo o registo do conteúdo da sua mensagem... com alguns sublinhados meu, quer porque os ache importantes, quer porque sejam assuntos que já tenha anteriormente conversado com ele.

**************************************

Nelson,

É bom que as escolas suspendam a avaliação e temos dado gás aos nossos quadros sindicais para que se envolvam nisso. Muito em breve iremos exigir isso publicamente. Talvez no dia 8 ou, mesmo, antes. Já quanto à manifestação de todos os professores, também gostava. Conheces-me, sabes isso. Mas sobre esse assunto já respondi a alguns colegas que me colocaram a questão. Vou enviar-te a resposta que lhes tenho feito chegar. Um Abraço. MN

+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+-+

Colega,

A marcação, pela Plataforma Sindical dos Professores de uma manifestação para o dia 8 de Novembro teve a ver com a necessidade de voltarmos à luta na rua, é evidente, como forma de protesto (pelas más condições com que nos confrontamos no nosso exercício profissional, pela sobrecarga de horário e de trabalho, contra a avaliação que nos impuseram e que teremos de derrotar, contra o modelo de gestão que o Governo impôs e pelo qual pretende eliminar qualquer réstia de participação democrática dos professores nos órgãos decisórios das escolas), mas, também, de exigência. Esta exigência prende-se, fundamentalmente, com a necessidade de travarmos o projecto apresentado pelo ME de revisão da legislação de concursos que é extremamente negativo (pode consultar informação na página da FENPROF ou de qualquer dos seus Sindicatos). O período de negociação regular termina a 31 de Outubro e a FENPROF, a manterem-se os aspectos negativos, poderá e irá requerer a negociação suplementar até 7 de Novembro, o que fará nesse dia (véspera de 8).

Portanto, a marcação de 8 para um mega-Plenário de Professores seguido de Manifestação tem a ver com este calendário que deverá ser tido em conta, pois as manifestações não podem ser apenas de protesto. Como dissemos, esta grande acção não é contra outra coisa que não seja a política educativa do actual governo que tem sido levada por diante pela equipa de Lurdes Rodrigues. Por essa razão, a FENPROF pretendeu esperar que todos os sindicatos que integram a Plataforma estivessem aptos a envolverem-se na mesma e apelou, ainda a que todos os professores, individualmente ou organizados da forma que entendessem, incluindo, naturalmente, movimentos ou outras associações, participassem.

Já o mesmo não aconteceu com a marcação de uma manifestação para o dia 15. Ninguém sabe de quem partiu a iniciativa, pois apareceu na net sem qualquer identificação da entidade que a convocava (foi a terceira em que isso aconteceu: uma a 30 de Setembro, junto ao ME, que reuniu 10 pessoas; outra a 5 de Outubro, no Marquês, que juntou 60 - dignificará isso a luta dos Professores?!).

Mas se a entidade que lançava a convocatória era desconhecida, já as palavras de ordem "contra os sindicatos", "Sem ministério, nem sindicatos", ou "professores sim, sindicatos não" surgiram de todo o lado. Ou seja, a convocatória apelava claramente à desunião, à separação dos professores em relação aos seus sindicatos, concretizando uma velha aspiração de Lurdes Rodrigues e de Sócrates que sempre disseram não estar preocupados com as críticas e lutas dos sindicatos, e da FENPROF em especial, pois os professores não se reviam nelas.

Entretanto, 3 movimentos aderiram à data e confirmaram o carácter anti-sindical da manifestação, senão, repare nesta afirmação:

"... mantém-se a convocatória para a manifestação de dia 15 de Novembro em Lisboa, manifestação que tanto quanto podemos afirmar, tem objectivos e motivações diferentes das dos sindicatos.
A direcção da APEDE"

Também o movimento Promova veio dizer, quando soou que haveria um encontro entre sindicatos e movimentos para articular a acção, que isso era mentira e que se tratava do "desenterrar de métodos de actuação do passado, incorrendo na desinformação como forma de desmobilização" e que "os professores não caem em truques desonestos que apenas desqualificam quem os concebe e os dissemina", referindo-se, obviamente, aos sindicatos de professores, o que é lamentável.

Entretanto, a manifestação foi legalizada no Governo Civil, feito um cartaz e até um vídeo promocional que termina a excluir os Sindicatos... Portanto, quem está a desunir, a dividir, a criar a cisão, não são os Sindicatos. Nunca o fizeram, por que o fariam agora? Nunca excluíram um colega não sindicalizado das suas reuniões, das suas acções, das suas lutas, do seu apoio, por que o fariam agora?

Mas a par desta campanha contra os sindicatos, foi desenvolvida, também, uma campanha contra os dirigentes sindicais, que foram acusados de terem beneficiado de regalias imorais, dadas pelo ME em matéria de carreira, o que é completamente mentira. Pelo contrário, foram prejudicados e bem prejudicados na sua vida profissional, inclusivamente impedidos de progredir na carreira, simplesmente por serem dirigentes sindicais. O ME nunca lhes perdoou as lutas desenvolvidas e o apoio que têm prestado aos professores.

[Nota minha: creio que Mário Nogueira não é professor titular]

Colega, pense bem nisto. A quem serve esta divisão? A quem serve excluir da luta os Sindicatos? A quem serve atacar os Sindicatos que têm sido, nestes tempos tão difíceis, bastiões de resistência, de exigência e de luta? A quem serve denegrir a imagem dos dirigentes sindicais? Aos Professores? Não é certamente. Antes servirá os interesses de um Governo que, governando com maioria absoluta, tem feito tudo o que quer e, principalmente, tem atacado a Escola Pública e os professores como nenhum outro. De uma forma ignóbil e sem vergonha. Não será a este governo que mais serve a divisão? Não será a este governo que mais serve chegar a 2009, ano eleitoral, com os sindicatos desgastados, enfraquecidos, logo, com mais espaço de manobra para a campanha eleitoral, sem denúncias, nem lutas e, assim, obter nova maioria absoluta?

Há que pensar bem nestas coisas. Estou certo que o fará e que compreenderá bem tudo isto que andamos a viver. É que, às vezes, o que parece, é; todavia, outras vezes, não parece, mas também é.

Um Abraço,
Mário Nogueira

Etiquetas: , ,

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Uma espécie de carta aberta

Uma das coisas que mais tenho feito nos últimos tempos, no que ao correio electrónico diz respeito, é produzir, tratar ou reenviar emails que digam respeito a temas de Educação, avaliação dos docentes, novo modelo de gestão, etc.

A minha lista de contactos de professores e educadores está sempre a ser solicitada... eles é que são as minhas maiores "vítimas"... hehehe...

Aproveito para pedir desculpas aos colegas que acabam por receber de volta os emails que me reenviam. Tenho feito um esforço para isso não suceder, mas sei que nem sempre consigo evitar essa situação.

Ora, algumas das pessoas para quem reenvio os ditos emails trabalham no SPRC e/ou na Fenprof... como o Mário Nogueira. É a forma que encontrei de, poupando-lhes algum tempo (lol), fazer-lhes chegar muito do que se passa pelos blogues, pelas escolas, pelos corredores, pelos cafés, nas conversas entre professores!...

De quando em vez acrescento a minha opinião pessoal... e já por algumas vezes o Mário encontrou algum tempo para me responder.

Na sequência do post anterior, decidi reenviar ao Mário Nogueira um determinado texto que falava nos objectivos da Manifestação de 15 de Novembro e que tinha acabado de receber... e acrescentei o que agora vou aqui publicar. Eram 23 horas de domingo.
Pronto: considerem este post assim como uma espécie de "carta aberta"!

***********************************************

Mário:
[reenvio-te]um exemplo do que vai circulando [pela Net]!…

A Fenprof... o SPRC... os outros sindicatos (não achas que há demasiados sindicatos?) não podem ignorar o que dizem os professores nos blogues (tirando os insultos, é óbvio)... e olha que não são "apenas" 20 ou 30... a expressão já é considerável!

Repito o que te tenho dito: tem de haver UNIÃO DE ESFORÇOS nesta altura... e não lucra a ninguém andarmos a escrutinar de quem é a culpa de uma suposta divisão dos professores. Aliás, lucra a MLR!

O que acho que tem de ser muito bem reflectido pelas estruturas sindicais é o porquê do surgimento dos tais "Movimentos" que convocam manifestações por sms ou por email, como tem sido referido. Achas que é por busca de "protagonismos pessoais"? Eu digo-te por que é, amigo Mário: é MESMO por insatisfação, por saturação, por necessidade de lutar e "morrer de pé"!

E o grande êxito das manifestações distritais do ano lectivo passado e da Marcha da Indignação teve um forte contributo da mobilização que foi feita pelos blogues. Disso não tenhas a mínima dúvida! Aliás, recordo bem o que a Lena e tu próprio me disseram na manifestação de Coimbra: "nunca pensámos que aparecesse tanta gente numa noite de "dia" de semana"!

Olha... só à minha conta... há cerca de 100 professores e educadoras a receberem emails diários (e já não falo do meu blogue, que tem tido poucas visitas)... a espicaçar, a informar, a fazer reflectir, a mobilizar...
Tu recebes sempre uma cópia deles! :)

Mas, Mário, o que ainda ninguém entendeu foi o porquê do Memorando (aliás, eu sempre disse que quem tinha de salvar o 3.º período era o ME, não nós – os professores)... e agora também ninguém entende por que razão não aproveitaram os sindicatos a data de 15 de Novembro... para acontecer outra "Marcha da Indignação"! Aí fomos 100 mil, Mário! Ninguém queria o "Memorando"... queríamos a queda da ministra… que o "Entendimento" salvou! Essa é a convicção dos professores, Mário... os professores que os sindicatos representam.

Repara que os sindicatos tinham todo o interesse na Manifestação convocada para dia 15. Sendo uma iniciativa "da sociedade civil"... e admitindo que seria relativamente fácil juntar 15... 20 ou 30 mil professores (nada impedia que os sindicatos ajudassem na mobilização dos professores), sempre podiam depois dizer "reparem como mesmo sem a máquina sindical os professores manifestam em tão grande número a sua indignação". A seguir – acredita – a Ministra ficaria "em maus lençóis"!

Assim… marcando uma manifestação para dia 8... com as negociações ainda não fechadas... o que vai acontecer?

Eu não posso ir no dia 8… :)

Abraço
NP

Etiquetas: , , , , , ,

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Para quê duas?

Professores não se entendem sobre a manifestação

Mário: no dia 8 de Novembro não posso ir, já tenho um jantar marcado; mudem lá a data da manifestação, se faz favor! :)

NOTA IMPORTANTE:
se não estou em erro, este foi o post 1000 do "Mais do mesmo"! Aproveito-o para fazer um forte apelo à unidade dos professores... ao ENTENDIMENTO entre TODOS os professores! A hora é de união... não de divisão e de "orgulho besta", parafraseando os meus primos brasileiros!

Etiquetas: , , , ,

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Proposta da Fenprof

A Fenprof, tal como Mário Nogueira já tinha dito em diversas ocasiões, apresentou uma proposta de Avaliação do Desempenho Docente, em alternativa à existente.

Pode ser lida aqui...

Ainda não vou dar a minha opinião, até porque sei que é uma proposta que está "em aberto", que ainda vai receber muitos e novos contributos... e que espero ir discutindo com o "pessoal" aqui do SPRC... :)

Etiquetas: , ,

domingo, 5 de outubro de 2008

Uma verdade inconveniente


Governo de Sócrates é o que mais desgastou classe dos professores


O secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, declarou, na Madeira, que o Governo de José Sócrates é o executivo que mais desgastou a classe dos professores nos últimos 34 anos de democracia em Portugal.

"É o governo que mais degradou as condições do exercício da profissão de professor, no plano da desvalorização, da injúria, do insulto, da desconsideração e do desrespeito", referiu Mário Nogueira numa iniciativa do Sindicato dos Professores da Madeira por ocasião do Dia Mundial dos Professores.

"Posso dizer que, em 34 anos de democracia, os professores nunca foram sujeitos a uma campanha de desvalorização social tão forte como aquela que este governo fez", acrescentou.

Mário Nogueira contestou as afirmações do primeiro-ministro no início do ano lectivo, quando Sócrates referiu que o "Estado não era uma agência de emprego" e que o "tempo do facilitismo" tinha acabado.

"Os professores não querem que o Estado seja uma agência de emprego, o que não aceitam é que o Ministério da Educação se tenha transformado em agência de desemprego docente", disse Mário Nogueira.

O secretário-geral da federação sindical de professores acusou ainda o Governo da República de deliberadamente ter tomado medidas "orientadas para o aumento do desemprego docente" como a "prova para ingresso na profissão".

Esta prova, disse o sindicalista, "pretende afastar da profissão milhares de docentes, alguns com vários anos de serviços prestado e avaliados positivamente".

"A nossa esperança é que os professores não fiquem de braços cruzados à espera que as coisas mudem, a única esperança que nós podemos ter é a capacidade de mobilização e de luta dos professores", lembrou.

Por isso anunciou que o Secretariado Nacional da FENPROF vai reunir-se esta semana. "Dessa reunião vão sair acções de luta, os professores vão voltar à rua, à contestação, ao protesto à pressão sobre este governo para que mude de atitude e de políticas".

Desejou ainda que a consigna do Dia Mundial do Professor seja concretizada em Portugal e que os professores "passem a contar verdadeiramente e a serem considerados porque se a escola não se faz só com professores também não se faz sem eles".


*****************************************

Eu não vou ficar de braços cruzados. E tu... vais? Então depois não te queixes!...

Etiquetas: , , , ,

Os professores contam

O factor humano (Mário Nogueira)

"Não há ensino de qualidade, não há verdadeira Escola se os professores não contarem ou contarem pouco".

Nos inúmeros périplos que o Governo tem efectuado pelo País a distribuir computadores, cheques e, principalmente, auto-elogios, os professores têm sido esquecidos como se na Escola fossem quem menos conta!

O ataque aos professores começou por ter expressão no plano social, tendo essa primeira fase pretendido preparar o terreno para as medidas que se seguiriam e que, sabiam os governantes, seriam fortemente contestadas.

Sobre os docentes abateram-se todas as medidas que se aplicaram à Administração Pública e, no caso do ensino particular e cooperativo, as decorrentes do código de trabalho… a que se juntaram mais algumas. Foi o novo estatuto da carreira docente que introduziu focos de grave instabilidade na profissão, com o seu absurdo e muito penalizador modelo de avaliação, a divisão da carreira em duas categorias ou a criação de uma prova de ingresso que visa empurrar milhares de jovens para fora da profissão; foram os horários de trabalho, muitas vezes ilegais, que impõem horas de actividade burocrática que seriam preciosas para o trabalho individual e vieram desorganizar, completamente, a própria vida profissional, pessoal e familiar dos professores; foi a nova gestão escolar, assente no pressuposto da desconfiança sobre os docentes e na necessidade de estender, para dentro das escolas, os tentáculos da tutela; foi a supressão dos apoios a milhares de alunos com necessidades educativas especiais, tornando mais difícil o trabalho na sala de aula.

É verdade que há escolas com quadros interactivos, com mais computadores nas salas e alguns edifícios foram recuperados… mas não foi dada a devida importância ao mais importante dos factores: o factor humano e, em especial, os profissionais docentes.

Como a UNESCO e a Internacional de Educação lembram no Dia Mundial dos Professores que amanhã se celebra, "os Professores contam!" Só que no nosso país, para o nosso Governo, estes têm contado pouco, o que é grave.

Não há ensino de qualidade, não há verdadeira Escola se os Professores não contarem ou contarem pouco, como tem acontecido, sendo natural que, quando assim é, as políticas educativas fracassem.

Seria perda de tempo esperar que para os actuais governantes os Professores passassem a contar; essa é razão suficientemente forte para que sejamos nós, Professores, com a nossa luta, a fazê-los compreender quanto contamos!

    Mário Nogueira, Secretário-geral da Fenprof


*****************************************

Desta vez, Mário, como em muitas outras, aliás, estamos plenamente de acordo! :)

Etiquetas: , , ,

sábado, 26 de abril de 2008

Explicações sobre o "Entendimento"

Etiquetas: ,

domingo, 20 de abril de 2008

Protestos

PROTESTO - SEGUNDA-FEIRA 21 de Abril

Todos à rua afirmar a oposição a esta política e a determinação dos professores em defender as suas posições.
Em toda a região centro, os professores e educadores sairão à rua reafirmando a sua determinação em torno da Resolução aprovada por mais de dois terços da classe em 8 de Março, na MARCHA DA INDIGNAÇÃO.

Saiba o ME e o Governo que os ganhos imediatos já conseguidos pela pressão dos professores não comprometem nem param a sua luta! Saiba o ME e o Governo que as perspectivas de negociação abertas pela mobilização dos professores não contarão com uma postura passiva da classe, mas sim com a manutenção da pressão, da luta e da afirmação das posições dos professores.

Foi pela luta que já se conseguiram alguns avanços. Vai ser pela luta que os professores atingirão outros e ainda maiores objectivos!

Aveiro
21H00 | frente ao C. Comercial Oita, Av. Lourenço Peixinho

Castelo Branco
18H00 | Em frente ao Tribunal

Coimbra
21H00 | JARDIM DA SEREIA


Guarda
18H00 | Frente ao Governo Civil

Leiria
18H00 | Junto à Câmara Municipal

Viseu
18H00 | Rossio

Lamego
18H00 | Soldado Desconhecido

Assim, os professores e educadores concentrar-se-ão amanhã, 21 de Abril:

PELA RENEGOCIAÇÃO DO ECD, os professores reafirmam a sua oposição determinada ao modelo de avaliação de desempenho, à fractura da carreira, à degradação e sobrecarga dos seus horários de trabalho e à inaceitável instabilidade que se vive na profissão, à 'prova de ingresso' na profissão!

PELA RENEGOCIAÇÃO DO REGIME DE DIRECÇÃO E GESTÃO ESCOLAR, os professores exigem a avaliação do actual modelo e afirmam a sua disponibilidade em contrariar as pretensões do ME.

PELA RENEGOCIAÇÃO DAS ALTERAÇÕES À EDUCAÇÃO ESPECIAL, os professores reafirmam a defesa dos princípios da Escola Inclusiva.

PELA VALORIZAÇÃO E INVESTIMENTO NO ENSINO SUPERIOR PÚBLICO, os professores exigem respeito pela liberdade académica e pela condição profissional.

POR MEDIDAS QUE PROMOVAM A QUALIDADE DA EDUCAÇÃO E DO ENSINO E PELA REDUÇÃO DO DESEMPREGO E DA PRECARIEDADE.

PELA GARANTIA DE QUE NENHUM DOCENTE SERÁ REMETIDO PARA A 'MOBILIDADE ESPECIAL'.

PELO RESPEITO PELA LIBERDADE E PELOS DIREITOS SINDICAIS

    A Direcção do SPRC/FENPROF


****************************************

Mmmmmm... talvez faça um compasso de espera na entrega do meu cartão de sócio!

Talvez!... :/

Etiquetas: , ,

terça-feira, 15 de abril de 2008

Não! Não! Não!



O meu "entendimento" é este:

estou muito perto... muito perto mesmo... de vos devolver o cartão pelo qual já paguei mais de 230 mensalidades!

Etiquetas: , , ,

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Também me sinto assim

Há aqui questões muito pertinentes... que explicam um pouco o meu sentir.

Destaco uma ideia que me assaltou logo quando soube dos termos do "entendimento": ao aceitar "esta" avaliação, mesmo "simplificada", praticamente legitima-se a aplicação de todo o processo, mais "complexo", no próximo ano...

Por isso falei em "inferno"... depois de uns meses de "purgatório"!

Etiquetas: ,


 
AJUDE-ME, CLICANDO NOS BANNERS!... OBRIGADO! AGRADEÇO A SUA PASSAGEM POR ESTE BLOGUE!