Mais do mesmo

Mais do mesmo... mesmo do que é demais! Há 6 anos... AINDA NÃO SE PODE SER PROFESSOR?! maisdomesmo.np@gmail.com

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A Oeste nada de novo

Tal como se esperava:

PS chumba projecto do CDS-PP para suspender avaliação dos professores

Achei muita graça a esta expressão de Santos Silva (ainda a votação não tinha sido feita):

"Será a vitória dos deputados livres que não se deixam chantagear, daqueles que não estão na câmara corporativa a defender interesses profissionais, estão na Assembleia da República a defender os interesses dos portugueses".

Bem... quanto a isto deixem-se só citar algo que recebi por email, vindo da "rendadebilros":

"Contentes devem estar os deputados socialistas que não cederam à chantagem (qual?), mas cederam a uma escolha: ou votas contra a suspensão ou não ficas nas próximas listas!...

Pergunta ela e pergunto eu:

- Quem é aqui o chantagista!

Por isso, saúdo daqui os deputados Manuel Alegre, Teresa Portugal, Júlia Caré, Eugénia Alho e Matilde Sousa Franco!

Ao Manuel Alegre, que afirmou "houve um tipo de pressão feito por alguns professores sobre os deputados e que demonstram que eles estão mal informados sobre o que se passa na Assembleia da República. E demonstra-se que eles estão mal informados porque até mandaram emails a deputados que têm votado a favor [das propostas da oposição para a suspensão da avaliação]", peço que seja compreensivo com alguns eventuais excessos de alguns professores. Eles explicam-se pelo completo desespero em que se vêem mergulhados no seu dia-a-dia.

Mas, caro Manuel Alegre, com quem realmente tem de se preocupar (o senhor, os portugueses... a Democracia Portuguesa) é mesmo com o "controleiro SS", aquele que cada vez mais assume um papel "à Goebbels". E não... não estou a chamar "Hitler" a ninguém!

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Mensagem enviada a alguns deputados-professores

Ando triste! Desanimado! Acabrunhado! A pensar desistir!
Só quando entro na sala de aulas e encontro os meus putos... readquiro um pouco a enorme alegria que já senti em ser professor! E lá me vou aguentando até às 18:15 H de cada vez mais penoso dia!
Que fazer? Greve? Ok, venha ela! Manifestações? Ok, onde é a próxima? Enviar emails de protesto e indignação? Com certeza... e é isso que tenho estado a fazer (já enviei a 13 deputados que se dizem professores).
Com alguns pequenos ajustes (masculino, feminino, um ou outro pormenor ou aparte, conforme a pessoa em questão), é este o texto que tenho enviado!
Resulta? Serve para alguma coisa? Não... sei que não! Mas dá-me a ligeira sensação que, assim, ainda estou a viver num país democrático, justo, onde a liberdade de expressão não foi completamente aniquilada... e enfim... onde a "disciplina de voto" não acaba de vez com a liberdade de cada deputado poder votar segundo a sua consciência!

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Sou professor!
Fui aluno do Magistério da Guarda, entre 1985/1988, no último curso aí ministrado! Licenciei-me em Filosofia, em Coimbra, mas continuei, sempre, sem qualquer interrupção, a ser professor do 1.º Ciclo!
Adorava ser professor!
Agora, a curar uma depressão... por excesso de trabalho, de cargos, de reuniões, de incompreensões, vítima do péssimo ambiente que agora se vive na escola pública, mas ainda a leccionar, a fazer "das tripas coração", a tentar encontrar um motivo para não desistir... gostaria de lhe perguntar como foi capaz de dar o seu contributo à completa humilhação da classe docente, com a aprovação do tenebroso ECD e do escabroso e kafkiano modelo de avaliação (aliás, de seriação e exclusão)!? Consegue mesmo viver tranquilo com a sua consciência? Ainda se lembra do que era e é SER professor? Do que era TER TEMPO para preparar aulas, TER TEMPO para ler um bom livro de Mialaret ou Perrenoud... e ainda TER TEMPO para poder descansar e confraternizar com a família e os amigos, de ter vida para além da escola? Ainda se lembra de quando deu a sua última aula? Ainda sente vontade de voltar para a escola e enfrentar uma turma cheia de alunos com NEE's... e os colegas de trabalho? E de ser avaliado por quem é menos competente e menos capaz e nunca deu provas de ser melhor para ser alcandorado à "categoria" de professor-titular?

Se sim... dou-lhe os meus parabéns! Mas fique a saber que ajudou a matar a dignidade da classe a que diz pertencer... e ajudou a matar a vontade e o gosto de ser professor a milhares de colegas!

Que Deus lhe perdoe... porque talvez eu não seja capaz!
NP
Coimbra

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Entretanto, aqui fica uma notícia que demonstra, em grande parte, a verdade da mensagem que tentei passar a alguns dos deputados que são/foram professores:

Cinco mil professores na reforma desde Março

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

CONFAP - Mais uma cavadela em falso

19 de Janeiro... dia de greve de professores.

Ao fim da manhã enviei uma mensagem a uma amiga dirigente do SPRC a perguntar-lhe como estava a ser a adesão. A resposta veio de imediato: "tão boa ou melhor do que a última"!

Sorri e continuei a assistir à aula de natação da minha filhota. Sim... que as greves também servem para isto: para podermos dedicar um pouco de atenção aos NOSSOS filhos, naquilo em que raramente temos oportunidade de poder fazer! Adiante!

Durante o dia evitei a habitual "guerra dos números". É "mais do mesmo": o Governo diz que os números são "baixos e/ou pouco significativos"... os sindicatos dizem que são "históricos"!

Agora à noite resolvi dar uma vista de olhos pelos "jornais online"... e lá estava: o Governo assegura que a adesão à greve é de 41% e os sindicatos dizem que os números são da ordem dos 90%!

Mas o que me deixou de boca aberta foram as declarações do presidente da CONFAP. A notícia lia-a no "Público" e aqui a deixo na íntegra:

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) ameaçou hoje recorrer aos tribunais para que sejam convocados serviços mínimos em futuras greves de professores, de forma a evitar que as escolas encerrem. Albino Almeida frisou não existir nenhuma razão para justificar o fecho de estabelecimentos de ensino, uma vez que o funcionamento não é apenas assegurado por docentes, mas também por funcionários e auxiliares, que não estão em greve.

"A Confap tomará medidas para que serviços como o refeitório e a guarda das crianças continuem a funcionar em futuras greves de professores, nem que para isso tenha de recorrer ao Tribunal Constitucional", afirmou, considerando que é preciso definir, do ponto de vista legal, quais os serviços mínimos que devem ser assegurados no sector da Educação. Para Albino Almeida, ao provocarem o encerramento de escolas, as greves de professores tornam-se "atentatórias dos interesses dos alunos e até dos seus direitos mais elementares, como comer" no refeitório.

"O direito dos professores à greve não pode colidir com o direito dos alunos e das suas famílias. Espero que as organizações sindicais tenham a lucidez de não marcar mais nenhuma greve para este ano lectivo porque a escola pública fica seriamente ameaçada se se continuar por este caminho, de realizar uma greve por mês", afirmou.

Um estabelecimento de ensino pode estar encerrado e não ter 100 por cento de adesão se o conselho executivo considerar que o elevado número de professores em greve não garante condições de segurança para os alunos. No entanto, pode dar-se também a situação contrária, mantendo-se a escola aberta e a funcionar só com auxiliares, estando todos os docentes ausentes.

Os professores voltaram hoje à greve, menos de dois meses depois da última paralisação nacional, a 3 de Dezembro, que contou com uma adesão que atingiu os 94 por cento, segundo os sindicatos, tendo chegado aos 66,7 por cento, de acordo com o ME.

Na última paralisação, cerca de um terço dos estabelecimentos de ensino fecharam portas, um número que não foi ainda divulgado relativamente à greve de hoje, apesar de os sindicatos estimarem uma adesão de 90 por cento. A Plataforma Sindical de Professores assegura que a adesão a esta greve repete os valores históricos registados em Dezembro, mas o Ministério da Educação (ME) acredita que este protesto será "significativamente inferior", não tendo ainda revelado dados oficiais.


Há aqui muita coisa para comentar... mas não vou ser exaustivo.

Dei por mim a pensar que, para muita gente, incluindo a CONFAP, a escola é um mero "refeitório" e um "depósito de crianças". Não se vê a mínima preocupação em entender as justas reivindicações e preocupações dos docentes. Para isso... nem uma palavra! Mas não será essa a missão da CONFAP, dir-me-ão! Certo! Já o sei por experiência própria há muito tempo... :/

Sabendo-se que o trabalho (lectivo) que os professores hoje não fizeram com os alunos será largamente compensado e recuperado no futuro próximo... e partindo do princípio que a CONFAP sabe disso, verifico que é por causa do "almoço" e a "guarda das crianças" que esta recorre à ameaça sobre os docentes que, por causa da greve, não ENSINARAM os alunos! Mas por outro lado não percebi como é que 41% de adesão à greve causa tantos incómodos e motiva tão violenta reacção. Será porque a verdade se situa mais lá para os lados dos 90%? É capaz... :)

Fiquei a pensar, também, se por "serviços mínimos" o sr. Albino entenderá uma coisa do tipo "os professores de Português e Matemática têm de trabalhar nos dias de greve e tomar conta dos alunos todos, com a ajuda dos funcionários"! Não me admirava se ele avançasse com uma proposta desse tipo! :)

Sugere ele que os funcionárias assegurem a "guarda dos alunos" na ausência dos professores. Saberá ele que as escolas se debatem com a falta de funcionários no seu dia-a-dia? Duvido! Mas se ele tem "capacidade" de resolver o problema para a próxima greve... que se empenhe, então, em pressionar o Governo e as Câmaras Municipais para admitirem mais funcionários, já... que bem falta fazem!

Mas, por outro lado, se a "guarda dos alunos" pode ser assegurada pelos funcionários nos dias de greve... para quê, nos outros dias, haver "aulas de substituição" ou "distribuição de alunos" pelas outras turmas? Então não podiam esses mesmos funcionários "tomar conta" dos alunos quando há falta de professores? A Lei não o permite? Ora, que aborrecimento...

Já agora, deixo uma pergunta ao sr. Albino: se os professores acham que têm motivos para fazer uma greve (têm... e muitos!)... devem marcá-la para as férias, quando o sr. estiver na praia com as suas filhas?! Ou para os sábados, como já têm feito com as manifestações?
Diga-me lá que greve de que classe profissional é que não causa incómodos e prejuízos... e se não é para isso... que eficácia têm/teriam as greves, como forma de pressão e protesto que são?

(Não tarda nada, o homem ainda vai exigir que os professores, esses privilegiados "guardas dos alunos", deixem de ter direito à greve! Shiiiiiuuuuuu...)

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Sequeira na linha da frente

Recebido do colega JLL (um abraço, companheiro), do Agrupamento de Escolas da Sequeira - Guarda... (logo ali ao lado das casas do Zé e do Cá-Jó, não sei se estão a ver... :P)

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Caros colegas,

A notícia, hoje divulgada pelo Diário de Notícias, de que o "nosso" agrupamento foi o primeiro no país, nesta fase, a decidir não entregar os Objectivos Individuais é, na minha modesta opinião, algo de extraordinário.
Em diferentes momentos tenho defendido a necessidade de nos unirmos, de criarmos um verdadeiro espírito de grupo que identificasse a Escola da Sequeira como uma instituição referência (neste caso na questão da avaliação/ECD...) em termos locais, regionais e mesmo nacionais. Penso que, neste caso concreto o conseguimos. Estamos todos de parabéns!
Pessoalmente, hoje ainda sinto mais orgulho em pertencer ao Agrupamento de Escolas da Sequeira!

Mas, vamos ter de continuar e, já no dia 19, temos de mostrar a todos que os professores do Agrupamento da Sequeira continuam empenhados em ser avaliados mas não através deste modelo de avaliação.
Para esse dia, proponho que seja entregue a todos os alunos - para estes levarem aos respectivos encarregados de educação - um texto que explique os motivos porque FAZEMOS GREVE, as razões da NOSSA LUTA, as incongruências deste modelo de avaliação.
O que é que acham da ideia?
Penso que os sindicatos terão algo parecido. Mas nós podemos construir algo nosso, digamos mais personalizado...
Podemos fazer qualquer coisinha para "puxar" os pais para o nosso lado (os que ainda não estiverem). O que vos parece?

VOTOS DE UM BOM FIM-DE-SEMANA

JLL

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E eu apelo a todos os que conhecem colegas de outros agrupamentos lhes peçam que adoptem medidas idênticas.

Se nos mantivermos unidos, havemos de vencer!

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Mensagem enviada aos deputados

No dia 7 de Janeiro enviei uma mensagem aos deputados da Nação, parafraseando um texto e uma ideia que circulavam pela Internet e que creio ser do Ilídio Trindade. Ei-la:


«Caro/a Deputado/a,

No dia 8 de Janeiro vai ter a possibilidade de fazer justiça, votando favoravelmente a proposta apresentada pelo grupo parlamentar do PSD! Vai ter 150.000 Professores a olhar, atentamente, para si e para o que decidir fazer do seu voto. Queremos ser avaliados, mas não por este modelo "remendado" e pedagogicamente duvidoso, que já sofreu todo o tipo de simplificação por o próprio Governo já saber bem que ele é INJUSTO e INEXEQUÍVEL e razão para um “clima de horror” nas escolas portuguesas!
Do documento original da avaliação já pouco resta e o própria Ministra e seu Ministério já decidiram que ele vai ser alterado... de novo, no próximo ano! Então... para quê usar uma ferramenta que se sabe à partida que é para deitar para o lixo? Não é melhor trabalhar JÁ com a ferramenta certa e adequada?
Por isso, PEÇO UMA ÚLTIMA VEZ: FAÇA JUSTIÇA - VOTE FAVORAVELMENTE E AJUDE A SUSPENDER ESTE MODELO DE AVALIAÇÃO DO ME!

Coimbra – 07/01/2009
O Professor
NP


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Devo dizer que recebi as seguintes respostas:

Como sabe, o Bloco de Esquerda vota a favor da suspensão – nenhum dos nossos deputados faltou à votação, ao contrário do que aconteceu no PSD.

Por isso, seremos coerentes com a nossa votação, e apresentamos um projecto de lei nesse sentido, que também será votado amanhã (o PSD vota contra, num acto de mesquinhez partidária que é lamentável).

Os cumprimentos de

Francisco Louçã
www.esquerda.net


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Caro Senhor,

Votarei favoravelmente a suspensão do modelo de avaliação imposto pelo Ministério. O Bloco de Esquerda tem acompanhado a luta das professoras e professores e apresentado propostas concretas na Assembleia da República, como acontece amanhã.
Contem com o nosso apoio e força na vossa luta.

Helena Pinto
Deputada do Bloco de Esquerda


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Grupo Parlamentar
http://cdsnoparlamento.pp.parlamento.pt

Caro Professor NP,
Como penso que sabe, o CDS apresentou um Projecto de Resolução que previa a suspensão do actual modelo e que apontava caminhos para um modelo transitório para o presente ano lectivo. Foi votado no passado dia 5 de Dezembro e esteve quase a ser aprovado. Infelizmente, tal não aconteceu e perdeu-se uma oportunidade de sair deste impasse e ultrapassar a teimosia e arrogância do Ministério da Educação nesta matéria.

Neste âmbito, e uma vez que houve abertura para a visão do CDS-PP sobre esta injustiça, apresentamos já um Projecto de Lei, que será discutido no próximo dia 23 de Janeiro, que consagra a revogação dos presentes decretos regulamentares e onde apresentamos uma avaliação transitória para o presente ano lectivo, que vai de acordo às exigências dos professores, mas também às necessidades das escolas no desenvolvimento normal das suas actividades. Este projecto, se mantiver o acolhimento que a proposta inicial do CDS teve, pode ser a solução definitiva para a questão da avaliação dos professores.
Até lá, viabilizaremos todas as iniciativas que ajudem a resolver, ainda que só parcialmente, esta questão.
Atentamente
Paulo Portas


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Dos outros deputados e/ou grupos parlamentares... nada! Silêncio! Shiuuuuuuuuu...

Vamos, pois, esperar pelo resultado da Greve de dia 19 de Janeiro... e da votação do dia 23 deste mesmo mês!

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