Mais do mesmo

Mais do mesmo... mesmo do que é demais! Há 13 anos... VOLTAREI A ESCREVER EM BREVE... maisdomesmo.np@gmail.com

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Fases do ensino em Portugal

Aviso prévio: este texto chegou-me via e-mail; desconheço o autor!

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FASES DO ENSINO EM PORTUGAL

1ª fase (antes de 1974):

o aluno ao matricular-se ficava automaticamente chumbado. Teria de provar o contrário ao professor.

2ª fase (até 1992):


o aluno ao matricular-se arriscava-se a passar.

3ª fase (actual):

o aluno ao matricular-se já transitou automaticamente de ano, salvo casos muito excepcionais e devidamente documentados pelo professor, que terá de incluir no processo, obrigatoriamente, um "curriculum vitae" extremamente detalhado do aluno e nalguns casos da própria família.

4ª fase (em vigor a partir de 2007):

O professor está proibido de chumbar o aluno; nesta fase quem é avaliado é o próprio professor, pelo aluno e respectiva família, correndo o risco quase certo de chumbar...

Apeteceu, ao autor do texto, acrescentar uma 5ª fase:

"os alunos que saibam escrever o seu nome sem erros, nem precisam matricular-se. Têm acesso directo ao Conselho de Ministros como consultores privados do 1º Ministro, equiparados a Chefe de Gabinete, com direito a subsídio de almoço e de transporte.
Também se está a estudar a hipótese da participação dos pais no referido Conselho, desde que se apresentem munidos de tacos de basebol e, pelo menos, tenham tomado banho no corrente mês."

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Aceito sugestões de como poderá ser essa 5.ª fase!

Eu já só consigo imaginar, tão desanimado ando com "o que aí vem", algo deste tipo:

«o aluno que se matricular e não obtiver sucesso educativo está livre de toda e qualquer responsabilidade, tal como a sua família, o Ministério da Educação e a sociedade em geral. O único culpado é o professor, como já se sabe e foi provado a priori, pelo que será imediatamente despedido, podendo ser condenado a uma pena de prisão (e a sorte dele é que se tenha abolido a pena de morte)!»

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quarta-feira, 21 de junho de 2006

Carta à ministra da Educação

Este blogue também é, entre outras coisas, uma espécie de "arca", onde tenho guardado algumas coisas que, ao longo destes últimos tempos, de algum modo, me interessaram... para memória futura!

Esta carta de Ademar Santos, seja ele quem for, é disso exemplo!

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Minha Cara Maria de Lurdes Reis Rodrigues:

Nos tempos que correm, você é, digamos, a face visível do meu patrão, o Ministério da Educação. Não me sinto, porém, "seu" empregado; sinto-me seu igual. Sou também, como você, professor (há mais de duas décadas), tenho, de vida, alguns anos a mais do que você (para infelicidade minha), escrevo e publico poesia (e sempre gostei de partilhar poesia com os meus alunos, apesar de não ser professor de Português ou de Língua Portuguesa) e, talvez diferentemente de você, quando entrei para a Faculdade, não planeava ser professor, mas jurista. E, antes de ter optado por ser professor, fiz outras coisas na vida: fui tradutor, fui assessor jurídico, fui advogado, fui
jornalista, fui gestor comercial. E tenho três filhos, dois dos quais estão ainda no ensino básico e em escolas "públicas", quero dizer, escolas "do Estado". Tenho pensado, escrito e publicado "alguma coisa" sobre educação, currículo que, infelizmente, não lhe reconheço.
Não sei, por isso, francamente, entre nós, quem terá mais autoridade para falar de educação e de ensino. Claro: você é a Ministra da Educação: tem autoridade política. Mas não era desta "autoridade" (circunstancial) que eu falava. Referia-me a outra: aquela que decorre da reflexão, da experiência e do interesse (não profissional, corporativo ou político, mas "civilizacional").
Tenho, diante dos meus olhos, um Despacho assinado por si, datado de 7 de Junho (ou seja, de anteontem). Está para publicação no Diário da República. Estabelece (transcrevo-o) "regras e princípios orientadores a observar, em cada ano lectivo, na elaboração do horário semanal de trabalho do pessoal docente" (...), "bem como na distribuição do serviço docente correspondente". Define ainda "orientações a observar na programação e execução das actividades educativas que se mostrem necessárias à plena ocupação dos alunos dos ensinos básico e secundário durante o período de permanência no estabelecimento escolar".
Não quero discutir consigo o conteúdo do Despacho. É, simplesmente, mais um Despacho, uma fórmula legislativa que os episódicos governantes deste pobre país gostam muito de usar para dar a entender (coitados!) que sabem e que podem. Não leve a mal que a desiluda: de Despachos Ministeriais (bem ou mal intencionados) está o inferno (e Portugal) cheio. Em mais de duas décadas, não sei de nenhum Despacho que tenha, efectivamente, contribuído para mudar a qualidade das aprendizagens dos nossos alunos (quero dizer: dos nossos filhos).
Você sabe tão bem quanto eu: precisamos de professores qualificados, profissionalmente autónomos e responsáveis e motivados. Mas não acredite que os crie por Despacho. E com Despachos como este, e com todas as declarações que tem vindo a fazer sobre os professores (e não discuto sequer se com razão ou sem ela), só tem conseguido, liminarmente, uma coisa: humilhar e desmotivar os professores em geral, os competentes e todos os outros.
Escolheu, imprudentemente, o caminho errado. Porque você ainda não percebeu que não basta ter autoridade política para "mandar" e para "mudar". É preciso suscitar a paixão, o entusiasmo, a clarividência, o pundonor. E, nesta arte, você tem-se revelado, lamento muito escrevê-lo, completamente incompetente. Conseguiu apenas fazer-se odiar (pelas melhores e pelas piores razões). Não vejo, sinceramente, como o ódio que, actualmente, os professores lhe devotam poderá contribuir para a felicidade dos meus filhos.
Lamento muito (repito) escrever isto, porque até comecei por simpatizar consigo. Continuo a considerá-la uma pessoa bem intencionada. Mas, porventura mal aconselhada, errou o método e o alvo. E agora já é muito tarde para voltar atrás e reganhar a confiança daqueles que deveriam ser os seus principais aliados.
Com toda a franqueza e com toda a frontalidade, entre colegas, permita-me que lhe diga: acho que deveria demitir-se e dar o lugar a outro. Talvez ao António Nóvoa, agora o seu Reitor, se ele estivesse disponível para colar os cacos que deixou (infelizmente, não acredito que quisesse). Pena que, em devido tempo, não se tivesse aconselhado com ele...

Ademar Santos

(recebido por e-mail)

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segunda-feira, 5 de junho de 2006

Efectivo... aos 40 anos!

Pois é... estou duplamente "deprimido":

  • completei 40 anos (...quarenta... enta... enta... enta... maldito eco);

  • fiquei colocado em Quadro de Escola, ou seja, fiquei efectivo numa escola (calculo que seja de lugar único - ainda nem me informei) perto da Lousã (pronto, são só cerca de 40 Kms... e 3 anos "disto"... se não tiver azar no próximo concurso).

    Se em relação ao primeiro ponto "a culpa" é dos meus pais (não posso fazer nada!), já em relação aos segundo item a culpa é exclusivamente minha, pois concorri muito mal!

    Estou mesmo "lixado"!... Grrrrr...

    Mas - eu sei - há coisas bem piores... como nem sequer ter emprego... ou saúde... e eu, nesse aspecto, sou um felizardo!
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    sexta-feira, 2 de junho de 2006

    Avaliação dos professores - II


    (recebido por e-mail)

    Alguém acredita num processo minimamente "isento e imparcial"?

    Eu não!...

    Ainda na última 4.ª feira, dia em que recebi, a pedido dela, a mãe de uma das minhas alunas (o dia "oficial" de atendimento é na 2.ª feira) abordei este assunto, tendo ela dito frontalmente que achava ridículo ser chamada a avaliar-me... porque não se sentia capaz de o fazer!
    (E não se trata de "incapacidade intelectual", pois tem formação superior)

    Simplesmente, sente que o nosso trabalho tem demasiadas condicionantes e sente que seria injusto avaliá-lo (ao trabalho) ou avaliar-me apenas pelo que a filha de 7 anos aprende... ou lhe conta em casa. Avaliar a minha disponibilidade em a receber a ela ou a qualquer outro... é também "injusto e insuficiente", porque não é essa disponibilidade que faz de mim "bom ou mau professor"!

    Tenho lido alguns argumentos a favor desta avaliação. Uns fazem-se reflectir... outros fazem-me soltar uma sonora gargalhada.

    Dizem algumas pessoas que seria uma forma de "captar e envolver mais a participação dos pais na vida escolar"!

    Ó meus amigos: então se os pais, que são os principais responsáveis pelos filhos e que, apenas e só por esse motivo, deviam envolver-se na sua vida escolar, mas que, para além desse facto "natural", ainda têm o professor ali à disposição todos os dias, têm ainda um dia específico de atendimento, têm reuniões alargadas com o professor de vez em quando, têm uma Associação de Pais (em que muitos nem sequer se inscrevem), têm representantes nos órgãos do Agrupamento (Assembleia de Escola, Conselhos de Turma, Conselho Pedagógico...) então, dizia eu, se os pais, apesar de tudo isto não têm tempo, interesse ou vontade em participarem mais na vida escolar dos seus filhos... será pelo simples facto de poderem participar na avaliação dos professores que se vão interessar mais pelas aprendizagens e comportamentos dos mesmos e, por arrastamento, em toda a vida escolar?

    Mas alguém acredita nisto?

    Alguém acredita que a mãe do "Miguel", que nem as "notas" do filho vai buscar (e olhem que há muitos "Miguéis" por esse país fora), nem vai à escola quando a professora lhe manda recado pela Caderneta Escolar... só por causa desta avaliação dos professores vai participar mais?

    Alguém acredita que, por causa de poder participar na avaliação dos docentes, a mãe da "Maria" irá mais vezes à escola, ela que tanto se desculpa com o facto de ter "horários horríveis e um patrão inflexível"?

    Alguém acredita que o pai do "José", que passa a semana a trabalhar longe de casa e dos filhos, com esta participação na avaliação dos professores vai conseguir alterar a sua vida de modo a estar mais vezes na escola?

    Sou muito pragmático: eu não acredito... mas digo mais: acredito que o Ministério também não acredita. Simplesmente está a arranjar mais uma forma de "achincalhar ainda mais a dignidade da classe docente"... que está "aqui mesmo a jeito" para culpar pelo insucesso dos alunos e de políticas educativas erradas e erráticas!

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    quinta-feira, 1 de junho de 2006

    Demissão do Conselho Executivo

    A notícia caiu como uma bomba no Conselho de Docentes de ontem, que me preparava para coordenar: o Conselho Executivo (CE) pediu a demissão!

    Muitos olhares cruzados, em silêncio, enquanto escutávamos a comunicação feita pela Vice-Presidente, que é, ao mesmo tempo, a representante do 1.º Ciclo no CE. Não deu qualquer explicação para tal decisão, mas ficou já agendada uma reunião para a próxima 4.ª feira, onde serão explicados detalhadamente os motivos que estiveram na base desta tomada de posição tão drástica e onde será lançado o processo eleitoral.

    Entretanto, já tive oportunidade de ler a carta que o CE enviou para o Presidente da Assembleia de Escola e que afixou na sala dos professores. Os motivos são os que eu imaginava e que resumo numa breve frase: o CE demitiu-se por causa da política errática do Governo, que coloca nos Conselhos Executivos o "odioso" da sua política de afrontamento aos professores, e que, ainda por cima, na pessoa da Ministra da Educação, considera os docentes culpados do insucesso dos alunos.

    Já hoje expressei a minha solidariedade ao CE e faço um apelo aos restantes Conselhos Executivos deste país:

    se não concordam com a política que tem sido seguida por este Ministério, uma política que tem sido imposta sem diálogo, muitas vezes tardiamente (quem não se lembra, por exemplo, em que altura do ano saiu o Despacho n.º 17387/2005 ou o Despacho n.º 50/2005?), que é errática (quem não se lembra da reformulação de horários que os CE's tiveram de fazer em Dezembro/Janeiro?), que atenta contra direitos adquiridos e/ou negociados (quem não se lembra da suspensão da progressão na carreira?), que pretende alterar, "à pressa" - e ainda assim com atraso - o Estatuto da Carreira Docente e o conteúdo funcional da actividade docente e impõe deveres e responsabilidades sem que dê aos professores e às escolas os meios reais e necessários à prossecução das exigências... tenham a coragem de fazer o mesmo que fez o CE do meu Agrupamento:

    demitam-se!

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